Como onda de desinformação ajudou na ida de marroquinos para a Espanha
Uma onda de desinformação nas redes sociais ajudou a impulsionar a saída de marroquinos rumo a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, em uma tentativa de chegar à Europa, segundo o The New York Times.
Boatos e vídeos virais criaram a percepção de que a travessia seria facilitada e sem risco de deportação . "Assisti a vídeos no Instagram que diziam: 'Eles vão te ajudar, não vão te mandar de volta'", relatou Achraf Ben Ahmed, um dos marroquinos que atravessou a fronteira, ao The New York Times.
O fluxo de pessoas aumentou rapidamente depois que mensagens passaram a circular em grupos e perfis com chamadas diretas para a viagem . "Começou como um barulho e, depois, virou uma avalanche", afirmou Moustafa Ayad, que é pesquisador do Institute for Strategic Dialogue, que monitora ameaças online, ao The New York Times.
Parte do conteúdo enganoso ganhou força ao se apoiar em um fato real, ainda que com pouco efeito prático, o que elevou a confiança nos rumores . "Mesmo que a decisão da Suprema Corte tenha sido inconsequente, ela deu aos boatos aquele grão de verdade que os tornou muito mais confiáveis", avaliou Jorgen Carling, especialista em migração do Peace Research Institute Oslo, ao The New York Times.
Corte espanhola julgava o caso de um argelino que chegou ao país nadando . Na lei espanhola, as autoridades podem expulsar qualquer pessoa que burle uma barreira física para entrar no país. A determinação da justiça, no entanto, definiu que nadar em mar aberto não era uma barreira física e que pessoas nessa situação não devem ser devolvidas sumariamente, mas serem submetidas aos trâmites comuns de deportação. Essa decisão foi tornada pública em 8 de julho e as nuances do caso foram distorcidas. Como uma brincadeira de "telefone sem fio", a decisão passou a ser retratada como uma abertura da Espanha para imigrantes.
Não está claro se autoridades da Espanha, do Marrocos ou das próprias plataformas estavam cientes dessa onda de postagens . No dia 30 de julho, data de maior movimentação de marroquinos em direção a Ceuta, pelo menos 215 contas no Facebook publicaram a mesma mensagem sobre a decisão da corte espanhola.
O jornal americano cita que uma das contas mais influentes a compartilhar a postagem foi a de Youssef Blhaissi, porta-voz da Delegação Interministerial de Direitos Humanos do Marrocos .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.